Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Alberto João Jardim – “Il Duce” de fancaria



Afinal os sinais estavam certos. Alberto João Jardim é um protofascista. Parolo, pequeno e alcoolizado, mas protofascista.

A sua proposta de revisão constitucional no sentido de proibir o comunismo é fascista, mesmo que disfarçada do desequilíbrio com que vezes demais é “desculpado” das enormidades que profere e comete.

Infelizmente, até à hora em que escrevo, apenas vejo “reacções” acobardadas, por parte de dirigentes nacionais do PPD-PSD. Esperemos por outras mais corajosas, de gente com maior dimensão!

Felizmente, como muito bem diz Edgar Silva, coordenador do PCP Madeira, isto, a que eu chamaria de delírio “italiano” de Alberto João Jardim, irá parar ao caixote do lixo da História, tal como o seu autor.

Manuel Alegre - Lamentável!


Pronto... eu sei que a diferença entre os dois não é assim tão grande, mas mesmo esta montagem já me deu uma trabalheira, que faria se ainda me pusesse com preciosismos!

O poeta Manuel Alegre anda numa azáfama. Quer reconciliar o eleitorado PS que se zangou com o governo, quer que o seu partido isto, quer que a esquerda aquilo... quer que Helena Roseta aqueloutro... e no meio disto tudo ainda arranja tempo para se enxofrar com António Vitorino, do qual não recebe lições.

Vamos lá ver. Qualquer pessoa normal, dois minutos depois de começar a receber uma lição de António Vitorino... adormece profundamente. Manuel Alegre, não! Com aquele feitio ruidoso que se lhe conhece, respinga imediatamente, só que desta vez talvez tenha exagerado na dose...

Quando o poeta se diz preparado e disposto para ajudar o Partido Socialista em tudo, "até a colar cartazes, coisa que muitos não fazem", parece antes estar a mandar o cavalheirismo às malvas e, como desconfia o Aristides, n'O Blogue do Castelo e eu próprio estou igualmente inclinado a desconfiar, deve estar a insinuar que António Vitorino, na realidade, o que não consegue é chegar aos ditos cartazes.

A ser verdade, isto é uma grande maldade. A exploração de uma característica física do pensador do PS, mesmo que este o tenha irritado bastante, não fica nada bem a um insigne pescador, caçador, poeta, deputado... e futuro candidato à Presidência da República.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Qual era a dúvida?





Pelos vistos, para desespero de todos os que estão sempre prontos para defender o governo fascista de Israel, chegam-nos notícias que nos dão conta de que estávamos certos ao apontar às tropas israelitas vários crimes de guerra e o assassinato premeditado e frio de crianças, mulheres e homens palestinianos, todos tão civis quanto desarmados. Os desabafos e confissões dos soldados que não conseguem conviver com as monstruosidades em que participaram, vêm confirmar o que todas as ONGs e observadores independentes denunciavam.

Está lá tudo. Os escudos humanos, as armas proibidas, as ordens para matar sem perguntar nada, os disparos às cegas, a política de transformar tudo à passagem em “zonas estéreis”, o que apenas se consegue arrasando tudo, nas próprias palavras de um soldado israelita.

Já sabíamos que só na última grande ofensiva de Israel, o balanço de vítimas foi de quase 1500 mortos palestinianos, na esmagadora maioria civis, enquanto do lado israelita morreram dois civis, vítimas dos rockets do Hamas e 10 soldados, sendo que destes, 4 foram abatidos acidentalmente por “fogo amigo” (termo mais imbecil!) de colegas seus.

Com números assim, nem seria preciso esperar pelos (sempre louváveis) rebates de consciência dos participantes nos assassinatos e genocídio planeado de todo um povo, para reafirmar a condenação da direita, extrema direita e trabalhistas (é bom não esquecer!), que têm partilhado o poder durante décadas de crimes e, ao mesmo tempo, reforçar a solidariedade com todos os que, dentro de Israel, lutam e levantam a sua voz contra este estado de coisas, buscando uma solução de paz que respeite o povo palestiniano.

Se a morte fosse interesseira...







Se a morte fosse interesseira
Ai de nós o que seria
O rico comprava a morte
Só o pobre é que morria.
(António Aleixo)

É um dos "encantos" de um sistema económico que privatiza aquilo que deveria ser público, neste caso, a saúde. Em vez de se trabalhar para termos um Serviço Nacional de Saúde de excelência, transforma-se a doença dos cidadãos numa oportunidade de negócio para as hienas do costume. Depois, faz-se o que for possível para transformar os Centros de Saúde e Hospitais públicos num enorme caos, justificando assim o encaminhamento, em alguns casos, pago pelo próprio Estado, dos utentes do SNS para os privados.

O diabo é que as hienas vão ficando cada vez mais esfaimadas por dinheiro e, quase sempre, olham muito mais longamente e com muito maior interesse, para as contas bancárias dos “clientes”, do que para o seu estado de saúde.

As queixas de discriminação vão aparecendo a rodos. Os casos de gestão “criativa” nestas instituições privadas de saúde e as médias e grandes canalhices que se instalaram no dia a dia do calvário dos nossos doentes, estão aí para todos verem.

O que faz o sistema? Volta a colocar os cuidados de saúde nas mãos de onde nunca deviam ter saído? Sacrilégio... não!!!


Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Sem açaime





A estória é curta. Passou-se com Fátima Coelho, costureira na empresa Fersoni-Comércio Internacional, S. A., em Joane, Famalicão.

Fátima Coelho é delegada sindical e dirigente do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes. Tem apenas 38 anos de idade e desses 38 anos, 25 foram passados a trabalhar sempre na mesma empresa. Esta empresa esteve habituada, durante anos e anos, a não ter operárias sindicalizadas, não suportando, por isso, a presença de uma delegada sindical e muito menos os frutos do seu trabalho entre as companheiras.

Em 2007 foi despedida. Com motivos tão despropositados que o Tribunal de Trabalho de Famalicão considerou o despedimento nulo.

Reintegrada na empresa, nunca mais teve descanso. As perseguições e humilhações públicas, são constantes e de toda a ordem. A última humilhação foi pagarem-lhe o ordenado em dinheiro, num saco de plástico contendo 333 moedas de um euro, mais uma de 5 cêntimos. Era o ordenado deste mês de Junho... ficou ali, exposta ao gozo, quase meia hora, a contar moedas.

A “justificação” foi o facto de ela não ter conta no mesmo banco da empresa. Ficam três perguntas:

- Quanto estofo é preciso ter e quanta necessidade deste “fabuloso” ordenado de 333.05 euros, para suportar isto?

- Em que altura da nossa vida democrática é que este tipo de “empresários” se convenceu de que pode fazer seja o que for, impunemente?

- Quem atiraria a primeira pedra a um operário que, nestas circunstâncias, se esquecesse momentaneamente das boas maneiras e rachasse "as hastes" deste patrão de alto a baixo?

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Falta de vergonha na cara





Este traste, de nome Roberto Micheletti, que dá a cara pelos militares golpistas fazendo de conta que é presidente das Honduras, deve sonhar com a inclusão do seu nome no Guinness Book of Records, ombreando com grandes feitos como “o maior tacho de caracóis”, “a sandes de mortadela mais pesada”, ou “o traque mais longo”, mas no seu caso, pela “produção do maior número de frases alarves no menor espaço de tempo”.

Vai bem lançado! Duma só vez, conseguiu dizer que admite a hipótese de “conceder” uma amnistia ao Presidente legítimo das Honduras, se este se entregar voluntariamente aos golpistas... mas que está fora de questão este ser “autorizado” a voltar ao poder.

Já que estava com balanço, aproveitou para afirmar que a culpa desta “teimosia” do Presidente Zelaya em insistir que é o Presidente eleito é (evidentemente) de... Hugo Chávez! Quem havia de ser?!

Como este tipo de faladores “diarreicos” dificilmente consegue parar, acrescentou ainda que a culpa pela morte do jovem apoiante do Presidente Manuel Zelaya, assassinado pelos golpistas... (adivinharam!) é igualmente de Chávez. Está mesmo convencido de que “Chávez é o culpado disto tudo”. Ora toma!...

O que é grave é que esta “coragem” para afrontar a comunidade internacional deve querer dizer que o fantoche pensa ter, ou sabe que tem, algum apoio importante e seguro. De onde virá?

Bela ideia!






Não tive tempo para ler a notícia completa... mas com o título, "Na África, Obama pede democracia e fim da corrupção", estou completamente solidário.

Presumo que deve ser para levar para casa...
Espero que consiga "recolher" bastante. São duas coisas de que os EUA estão a precisar há muito tempo!

Domingo, 12 de Julho de 2009

O manto da invisibilidade



Alguns cientistas, continuam a desenvolver estudos sobre metamateriais que, a fazer fé em algumas experiências, poderão vir a ser capazes de, sob determinada luz, não produzirem sombra, nem qualquer reflexo.


Tenho fortes suspeitas de que esta pesquisa sobre coisas invisíveis se inspirou em antiquíssimos segredos do Japão, aplicados no fabrico de certas peças de kimonos que (obviamente) não se conseguem ver, como na ilustração aqui em cima, ou então nas roupas, nas ideias e nas políticas de alguns dos nossos ministros, como por exemplo o do ambiente ou o da cultura... que já há muito não se podem ver em lado nenhum.

PS: Se a cultura chegou ao estado em que a vemos enquanto o Governo a ignorou, agora que Sócrates a declarou "grande prioridade"... é que estará mesmo tudo lixado! Exemplos dos resultados catastróficos das "prioridades" de Sua Excelência o Presidente do Conselho, não faltam por aí.

Beija! Beija! Beija!...



José Manuel Durão Barroso, a esposa, os filhos e demais família, Cavaco Silva, Sócrates... e os restantes parolos que acham mesmo ser muito importante para Portugal que o presidente da Comissão Europeia seja português, não cabem em si de contentes. José Manuel Durão Barroso foi confirmado como candidato oficial à sucessão de José Manuel Durão Barroso. Pelos vistos, com o acordo dos governos nacionais da União.

Faltará, daqui até ao fim do verão, cumprir apenas a mera formalidade de apresentar aos deputados o seu “programa”, o que convenhamos, o “camarada Abel” poderá condensar em meia dúzia de linhas. Na minha versão, se possível, ainda mais condensada, a coisa deve reduzir-se a:

1. Não fazer ondas, nem aborrecer ninguém.
2. Fazer sempre o que mandam os países mais ricos da União e defender os seus interesses.
3. Em caso de dúvida, fazer o que mandar a Casa Branca, seja qual for o presidente que lá habite.

Não tem por onde falhar. Vai ser mais um “grande e brilhante” mandato!

Sábado, 11 de Julho de 2009

Confiança






Ao que parece, virão por aí novas regras para as renovações das cartas de condução. Entre outras coisas, será feito um check-up bastante mais apertado, tanto às condições de visão, como psicológicas.

Acho muitíssimo bem! Ninguém está interessado em ter "encontros imediatos" nas estradas com o Mr. Magoo, ainda por cima a regular mal da cabeça...

Seja como for, estou confiante. Se um ministro como Mário Lino pode participar na condução do país, eu acho que sairei da inspecção com uma licença de condução para Boeing 747, ou mesmo o Airbus A380!

Daniel Bessa - Génio desperdiçado



O senhor Daniel Bessa, ex-ministro de Guterres, seguindo o exemplo de muitos outros ex-ministros, por esse mundo fora, que passeiam por colóquios, conferencias e jantaradas várias, o grande saber e talento que quase sempre não revelaram enquanto estavam nos governos, foi dizer umas coisas a Aveiro.

A dada altura, no que a princípio pareceria um toque de humor, mas afinal era a sério, afirmou que a famosa gaffe de Manuel Pinho, na China, quando tentou atrair investimento para Portugal “gabando-se” dos baixos salários portugueses como se de uma vantagem se tratasse, em vez de gaffe, foi afinal uma das coisas mais acertadas que disse.

Aqui, o senhor Bessa tomou o freio nos dentes e saiu disparado. Não só essa afirmação de Pinho foi acertada, como essa ideia deve tornar-se num “desígnio nacional”. O país deve, segundo ele, fazer um “controlo férreo” dos custos, portanto, dos salários. Logo a seguir mete os pés pelas mãos, “lamentando” o facto de, devido ao baixo poder de compra dos portugueses, a procura interna estar estagnada. Mostrando que afinal não é tão inteligente como se diz, esquece-se de que a esmagadora maioria das empresas portuguesas produz exclusivamente para o consumo interno.

Não será preciso ser astrofísico para perceber que todo e qualquer aumento do poder de compra dos portugueses se reflectirá directa e imediatamente no dia a dia dessas empresas e nos seus balanços... mas não para o senhor Bessa! Esse aconselha as empresas a manter os salários e todos os custos de produção (exceptuando os ganhos dos gestores, certamente) ao nível mais baixo que for possível... e dedicarem-se à exportação. Aconselha mesmo algumas empresas a deslocalizarem alguns sectores da sua produção para países com ainda mais baixos salários, abandonando o país.

A menos que esteja a falar para meia dúzia de grandes empresas, que representam muito pouco para Portugal, tanto em número de postos de trabalho, como em receitas para o Estado, mais dois ou três casos excepcionais de PMEs realmente viradas para o mercado externo, este argumento do ex-ministro é tão pedestre que se torna bastante difícil classificá-lo de maneira educada.

Os senhores ex-ministros Pinho & Bessa que me desculpem a comparação, mas lembram-me os grandes relvados dos jardins, sempre “minados” de poias. Quando pensamos que conseguimos evitar uma, é exactamente no movimento de nos desviarmos que acabamos por pisar a outra.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Saramago - União Ibérica... e política (actualizado)





A fazer fé nas notícias, o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, apoia veementemente a reeleição do militante do PS António Costa, para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Para isso, exorta não menos veementemente os lisboetas a fazerem por isso, votando novamente e assaz no actual Presidente da autarquia.

A meu ver (mas posso estar enganado...) esta declaração de apoio que muitos verão como um acto de liberdade de pensamento e independência intelectual e que em condições normais o seria, perde muito do seu valor pelo facto de ter sido proferida dentro das instalações da CML, no preciso momento em que o escritor assinava com o Presidente António Costa, um protocolo para a produção de um filme, provisoriamente chamado "União Ibérica", sobre a relação dele próprio com a sua mulher, Pilar del Rio.

Cobrir António Costa e a sua política de elogios e apelar à sua reeleição num tal momento, por mais limpo e desinteressado que seja, deixa fatalmente no ar um cheiro a negócio. É pena!

Adenda: Dada a quantidade de comentários, seria uma maratona estar a responder individualmente... mas também não quero ficar-me pelas saudações colectivas.
Assim, agradeço todas as opiniões, sem excepção e apenas para o tal Aldeão da margem Sul, atendendo ao facto de, pelos vistos, se ter perdido e entrado por acaso no que lhe pareceu ser uma "sacristia" e sujado o chão, deixei a resposta que me pareceu mais à medida da qualidade do equivocado visitante.
Quanto aos "toques" para dizer alguma coisa sobre a posição de apoiante e mandatário da candidatura de António Costa assumida por Carlos do Carmo, apenas direi que a "relação" do conhecido fadista com a CDU é muito diferente da que é (ou era) a de Saramago. Mais, Carlos do Carmo não é Saramago e o meu interesse pelas suas posições político-eleitorais é, digamos... muito modesto!

Consciências tranquilas, vá lá... muito calmas...





Pelo que temos visto e lido, sempre que alguma figura mais ou menos pública ligada ao poder executivo, ou à alta finança (o poder real), é confrontado com um qualquer "mau passo", declara invariavelmente e com ar solene, “Estou de consciência tranquila!”

É o caso dos envolvidos nesta estória extraordinária do prédio dos CTT, em Coimbra, de Isaltino, que se deu ao luxo de vir para a rua dar “conferências de imprensa”, enquanto dentro do Tribunal, o procurador lia as alegações finais referentes aos vários crimes de que está acusado e para os quais o MP pede uma pesada condenação, do “esquecido” Dias Loureiro, da “carioca” Fátima Felgueiras, do “escorregadio” Pimenta Machado, do “ruidoso” Valentim Loureiro, abatedores de sobreiros, compradores de submarinos, licenciadores de casinos... e toda a sorte de figurantes em centenas de negócios manhosos.

Só pode haver uma explicação. Toda esta gente confunde uma consciência embriagada pelo poder, anestesiada pela corrupção, ou mesmo já morta, com “consciência tranquila”. Não é a mesma coisa! Felizmente, em alguns casos, o estado comatoso da tal “consciência” acaba por alastrar a outras zonas do cérebro... e faz com que se deixem apanhar.

Mais tranquilo irá ficando o país se começar a ver, pelo menos alguns deles, atrás das grades!

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Cimeira do G8 - Os ricos são nossos amigos



Sei, de "fonte" tão segura e formosa como a própria Leonor, que foram precisas várias horas e muita explicação, para que alguns dos ricos dirigentes mundiais do “G8” entendessem que a resolução de lutar contra a fome não se limitaria a adiantar em uma hora os horários dos pequenos almoços, almoçaradas e jantares servidos na própria Cimeira.

Embora cruzando os dedos às escondidas, lá se “comprometeram” com a ideia de que é necessário trocar a ajuda alimentar por um real apoio ao desenvolvimento da agricultura nos países mais pobres, já que, ao contrário do que parecem pensar os nossos jovens tecnocratas, os alimentos não nascem nas prateleiras do “tio” Belmiro de Azevedo... e mesmo que crescessem, esses países não têm dinheiro para os comprar.

Afinal, parece que terem destruído as agriculturas que alimentavam milhões de seres humanos (incluindo a nossa), apenas para proteger os grandes produtores ocidentais e enriquecer uns tantos amigos, está a sair muitíssimo caro aos ricos. Daí, talvez, esta súbita "preocupação".

Sanfona - Num "mundo ideal"



Num “mundo ideal”, recheado de países governados por partidos com maiorias absolutas, sempre que algum dos partidos na oposição tivesse a ousadia de exigir uma Comissão Parlamentar de Inquérito, fosse sobre que assunto fosse, haveria sempre dois caminhos a seguir:

1. Se o previsível resultado do inquérito fosse simpático para o Governo da maioria, tudo bem, a CPI faria o seu caminho normal.

2. Se o previsível resultado do inquérito fosse antipático para o Governo da maioria, alguém, responsável pela propaganda do partido elaboraria previamente um “relatório”, que outro alguém ligado ao partido se encarregaria de apresentar no final da CPI e onde estariam vertidas as mais convenientes conclusões. Independentemente do que nela se tivesse passado, inquirido, ou esclarecido... e, evidentemente, independentemente da opinião dos deputados da oposição.

E pronto! Num “mundo ideal” o assunto estaria arrumado, já que é conhecida a indiferença olímpica dos cidadãos para com quase tudo o que se passa no Parlamento, incluindo, obviamente, as Comissões Parlamentares de Inquérito.

Então o que é que correu mal neste nosso “mundo imperfeito”, apesar da maioria absoluta? Foi o facto de, desta vez, a CPI ter dado nas vistas. Por ser sobre um caso que interessava os cidadãos. Pela prestação particularmente activa dos deputados participantes. Pelo triste espectáculo a que o país assistiu, dado pelo Governador do Banco de Portugal, que pouco mais fez do que balbuciar desculpas para a sua incompetência e para a inoperância da sua supervisão. Pelo degradante espectáculo dado pelo “esperto” manda-chuva do BPN, que aproveitou as horas de reflexão passadas na cela, para organizar os seus apontamentos... e tão bem o fez que, já seguro dos nomes que pode arrastar consigo na queda, dá-se ao desfrute de ser arrogante e insolente perante os deputados.

Mesmo nestas condições, o Partido Socialista não entendeu que não passaria sem ser notada esta sua votação solitária, num “relatório” que lhe dá jeito.

Mesmo no meio de mais esta trapalhada “socrática”, ainda consigo extrair desta estória pelo menos três coisas positivas:

1. O termo “supervisão” deixa de estar ligado ao conceito de “ver muito bem”, passando definitivamente para o campo da ficção científica, como um dos super-poderes do Super-Homem.

2. A alta e bonita deputada Sónia Sanfona (“sereia”, a fazer fá nesta notícia) fez uma grande entrada na ribalta do mediatismo político, mesmo não tendo sido da melhor maneira, como “madrinha” do relatório do PS.

3. Toda esta conversa, trouxe para as televisões, jornais e revistas, a palavra “Sanfona”, nome desse extraordinário instrumento musical, que para além de ser um objecto fascinante, luta há muitas décadas para escapar à extinção, só o conseguindo à custa do amor à música tradicional por parte de alguns grupos europeus, nomeadamente, franceses, espanhóis e um ou outro de Portugal, com especial destaque para um dos seus grandes “apaixonados” e também reconhecido construtor, Fernando Meireles.

Não se perdeu tudo!

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Michael Jackson - Do talento puro e da arte, até à "indigência" e alienação



A incapacidade do capitalismo para controlar os delinquentes que ele próprio cria, uns arvorados em neoliberais, outros apenas bandidos, provocou, como todos sabemos, mais uma crise no sistema. Desta vez a coisa foi assustadora para a classe dominante. Independentemente de muitos deles não terem parado de ganhar dinheiro a rodos, o espectáculo de bancos a falir, ou a serem “nacionalizados”, ainda que por pouco tempo, deixa-os num estado de nervos caótico.

De qualquer maneira, o pior de tudo, foi começarem a ouvir por todo o lado gente até aí muito sossegada, que inesperadamente começou a ventilar a hipótese de o sistema estar falido, de as teses daquele barbudo Marx terem sido prematuramente declaradas como mortas, de ser preciso mudar de sistema económico, de ser, talvez, interessante, voltar a ouvir com uma nova atenção as propostas dos partidos que, por todo o mundo, já o diziam bem antes de chegar a crise...

Foi o pânico! Houve que lançar mão de tudo. Fazer com que as pessoas não se sintam seguras em nenhum emprego. Fazer com que fiquem agradecidas por o terem. Fazer com que haja sempre uma fila interminável de candidatos a meia dúzia de postos de trabalho, constituída por gente disposta a tudo para os conseguir. Deixar avolumar o sentimento de insegurança até ao ponto de, para além de agradecidos aos patrões, os cidadãos começarem a sentir-se mais seguros rodeados de polícia e dispostos a abdicar de liberdades e direitos. Culpar os pobres pela sua situação. Culpar os imigrantes, os árabes, os pretos, os sindicalistas, os comunas... tudo, menos a sacrossanta economia de mercado.

Na dúvida e para aliviar o stress social que todas estas medidas provocam, é preciso apostar forte na alienação. De forma milionária. Atirando milhões e milhões para cima de miúdos, com o pretexto de serem “desportistas”. Inundando as televisões com toneladas de novelas e programas de entretenimento cujo nível vai baixando de mês a mês. Investindo na música “indigente” que a toda a hora tem representantes nos vários canais dessas mesmas televisões. Enterrando os livros bons que se vão escrevendo, sob pilhas de lixo “light”, escrito por vedetas disto e daquilo, ou mesmo simples figurantes do “jet-set”. Atascando os escaparates em revistas “cor de rosa”, onde podemos saber dos arrufos, dos amores, das tricas, dos boatos e da localização ao milímetro do local “inconfessável” em que a jovem actriz ou cantora pimba espetou, para a posteridade, o seu mais recente e ousado piercing.

A sorte ajudando, artistas com a dimensão dramática de um Michael Jackson, sucumbem não se sabe bem como e porquê, permitindo ao sistema que controla a nível global os meios de comunicação, montar este show comercial obsceno à volta da vida e morte dessa patética vítima do próprio sistema, marioneta trágica nas mãos do capitalismo.

Todo o asco que me provoca esta campanha mundial de alienação, misturada com a infame exploração comercial do artista morto, quase me faz esquecer que houve um tempo em que gostei de Michael Jackson.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Cristiano Ronaldo – A verdadeira pandemia





O Real Madrid, como qualquer grande empresa de espectáculos, no intuito de promover a venda das bugigangas em que faz algum do dinheiro que ganha nas suas lojas, nas quais deve igualmente “lavar” uma boa parte dos milhões com que paga todas estas fantasias obscenas a que alguns ainda chamam desporto, ou futebol, montou um verdadeiro circo mediático para registar a chegada ao local de “trabalho” do seu mais caro empregado, o português Cristiano Ronaldo. Nada de extraordinário. Trata-se apenas de marketing!

Já verdadeiramente extraordinário é o facto de as televisões e rádios nacionais, numa iniciativa tão excessiva quanto parola, fazerem horas e horas de directos em Madrid, para assistirmos à recepção do “galáctico” artista, com verdadeiras honras de Estado. Neste caso, o estado a que tudo isto chegou!...

Resta uma pequeníssima “consolação”. Pelos vistos, na Espanha, um país onde desgraçadamente, o desemprego poderá chegar aos 25%, existem muitos milhares de cidadãos tão patetas e manipuláveis como nós.

A voz do dono






Habituados a que os golpes militares mais ou menos sangrentos e as ditaduras assassinas da América Latina contem sempre com o apoio, quando não mesmo do financiamento por parte dos EUA, alguns dos nossos órgãos de informação não sabem bem como “processar” estas posições “excêntricas” da administração norte-americana, que alinham com a OEA, a ONU e praticamente todo o mundo, na condenação do golpe militar nas Honduras.

Vão dando as notícias, poucas, mas sempre de pé atrás, como quem não acredita lá muito que seja verdade o apoio dos EUA a Manuel Zelaya. Vão tendo o máximo cuidado para não se comprometerem, não vá a verdadeira intenção dos verdadeiros patrões dos seus patrões... ser afinal a do costume.

É assim que se produzem as pérolas noticiosas, como a que ouvi ontem, numa das rádios nacionais, em que na notícia que dava conta da repressão violenta das tropas golpistas sobre os cidadãos que queriam mostrar o seu apoio ao presidente democraticamente eleito, o povo era reduzido a “alguns populares”, a carga da tropa sobre cidadãos desarmados (provocando mortos), passava a “confronto”, enquanto os próprios militares golpistas eram promovidos a “forças da ordem”.

Temos efectivamente belos meios de comunicação social e alguns grandes “jornalistas” ao seu serviço!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Foi bonita a festa, pá!





Maria João Pires - Grande pianista brasileira



Nos idos de 1934, quando o fascismo português ainda estava convencido de que podia aparecer favorecido nas “fotografias” europeias, fazia o que podia para se afirmar, recorrendo à mais diversa propaganda. Nesse ano, calhou a vez ao velho (e nessa altura, lindíssimo) Palácio de Cristal do Porto e aos seus jardins, de acolherem a “Exposição Colonial”.

Entre as várias mentiras que sempre “justificaram” o colonialismo, nessa exposição vendia-se a ideia de que Portugal era um país enorme. Para sustentar essa ideia peregrina, pegou-se nuns desenhos de todas as colónias portuguesas, escarrapacharam-se os ditos em cima de um desenho da Europa, fazendo de conta, primeiro, de que aquilo era um mapa, segundo, de que aquele “Portugal” cobria a tal Europa, praticamente até às fronteiras da Rússia. Para elaborar esse tão “científico mapa” foi requisitada a colaboração de Henrique Galvão (esse mesmo!) que só bem mais tarde começaria a abrir os olhos...

Para a classe dominante, que ao longo da nossa História se tem travestido de várias tendências e convicções, é importante que o “Zé” esteja sempre convencido de que somos “os maiores” em qualquer coisa. Tudo serve, desde pizzas gigantes, para o Guinness, gloriosos milagres e santos a rodo, para todos, até aos pontapés na bola, para nada.

Há efectivamente coisas com as quais Portugal se poderia afirmar, mas estão longe de ser estas. Aqui e ali ouve-se falar de mais um cientista, aqui e ali dá-se conta de mais um grande escritor, artista plástico, músico... mas não! Com esses, Portugal não se agiganta, apenas aproveitando para se gabar durante uns dias, de algum prémio eventualmente recebido "lá fora" por algum deles, a quem o país pouco ou nada liga e cujas obras (mesmo depois dos prémios) continuam quase confidenciais. Esses e essas sim, cobrem a Europa e o mundo com a luminosidade do seu talento, mas por conta própria e muitas, tantas vezes, fazendo as malas para nunca mais voltar.

Todos sabemos dos criadores que se foram, no passado. Todos sabemos dos que se vão. Todos sabemos da sangria de cérebros, que partem em busca duma “pátria” que os acolha e acarinhe, tanto como em busca do sucesso.

Esta notícia sobre a pianista Maria João Pires é mais uma. É uma decisão tão pessoal que não me é possível comentá-la... apenas posso senti-la.

Se esta notícia sobre a pianista Maria João Pires se confirmar, ficaremos quantos passos mais longe de sermos realmente um grande país?

Adenda: Discretamente (como é seu hábito), um leitor chamou-me (e bem) a atenção para o facto de eu poder, com a frase sobre Galvão, “que só mais tarde começaria a abrir os olhos”, dar inadvertidamente a entender que o conhecido capitão abandonou as suas teses sobre o colonialismo, quando isso não é assim. Na verdade, o seu “desencanto” foi com a figura de Salazar... e pouco mais.